Uma conversa franca sobre prazer, hormônios e o poder de cuidar do corpo de dentro pra fora
Há quem diga que “felicidade se reflete na pele”.
E por mais poético que pareça, essa frase carrega uma verdade biológica profunda.
Hoje quero te convidar pra um papo maduro e real: será que o orgasmo realmente pode ajudar na saúde e aparência da pele?
Antes de achar que isso é mito de internet, a ciência já tem muito a dizer sobre o tema , e os resultados são surpreendentes.
O que realmente acontece no corpo durante o orgasmo
O orgasmo é uma das reações mais completas e intensas do corpo humano.
Quando ele acontece, uma verdadeira orquestra química entra em ação: endorfina, dopamina, oxitocina, prolactina e serotonina são liberadas quase que simultaneamente.
Esses neurotransmissores e hormônios têm efeito direto sobre o sistema nervoso, imunológico e cardiovascular, e, por consequência, na pele, que é o maior órgão do corpo.
▶ A dopamina traz prazer e motivação.
▶ A endorfina alivia dores e reduz o estresse.
▶ A oxitocina gera sensação de vínculo e relaxamento.
▶ A serotonina melhora o humor e o sono.
E o resultado de tudo isso é um corpo mais equilibrado, com menor inflamação sistêmica e melhor circulação sanguínea, exatamente o que uma pele saudável precisa.
O orgasmo e o brilho natural da pele
Durante o clímax, os batimentos cardíacos aumentam e os vasos sanguíneos se dilatam.
Isso melhora a oxigenação dos tecidos e impulsiona a chegada de nutrientes e antioxidantes à pele.
É por isso que, após o prazer, muitas pessoas sentem o rosto mais corado e viçoso, é o famoso “glow natural”.
Esse aumento na circulação também ajuda na renovação celular, essencial para manter a textura e o tom da pele uniformes.
• Um estudo publicado no Journal of Sexual Medicine observou que, após a atividade sexual, há um aumento temporário de até 20% na oxigenação cutânea, favorecendo a regeneração dos tecidos e a luminosidade da pele.
A relação entre prazer, hormônios e colágeno
Um dos efeitos mais interessantes do orgasmo é o equilíbrio hormonal que ele promove.
Durante o clímax e o pós-prazer, o corpo reduz a produção de cortisol, o hormônio do estresse, e aumenta a de oxitocina e estrogênio (no caso das mulheres).
O estrogênio, além de influenciar o humor, é fundamental para a elasticidade e firmeza da pele, pois estimula a produção de colágeno e ácido hialurônico, duas substâncias que diminuem com o envelhecimento.
Ou seja: ter uma vida sexual saudável, sozinha ou acompanhada, também é um ato de autocuidado hormonal.
Fontes:
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Harvard Health Publishing (2020) – “The Health Benefits of Sex”
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Cleveland Clinic – “Sex and Your Skin: What’s the Connection?”
-
Journal of Endocrinology (2018) – “Oestrogen and Skin Health”
O orgasmo e o sono — o skincare invisível
Sabe aquele sono profundo e reparador que parece “resetar” o corpo?
O orgasmo pode te ajudar a chegar lá.
Após o clímax, o corpo libera prolactina e serotonina, substâncias que promovem relaxamento e sonolência.
Dormir bem, por sua vez, é essencial para a regeneração da pele e a síntese de colágeno.
Durante o sono profundo, ocorre o pico da produção de hormônio do crescimento (GH), responsável por renovar as células da epiderme.
Ou seja: o prazer pode ser o início do seu sono reparador, e o sono é o melhor tratamento antienvelhecimento que existe.
O orgasmo e o sistema imunológico
O prazer também é amigo da imunidade.
Pesquisas da Wilkes University, nos Estados Unidos, mostraram que pessoas sexualmente ativas apresentavam 30% mais imunoglobulina A (IgA) no sangue, um anticorpo responsável pela defesa das mucosas e da pele.
Além disso, o orgasmo aumenta a circulação linfática e estimula a liberação de citocinas anti-inflamatórias, que reduzem inflamações e aceleram a cicatrização.
Isso significa menos acne inflamatória, melhor recuperação de feridas e uma pele mais protegida contra agressões externas.
Fonte:
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Journal of Sexual Medicine (2015)
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Wilkes University Research on Immune Function and Sexual Activity (2004)
Prazer, autocuidado e autoestima
Agora, vamos além da biologia.
O prazer também tem um papel emocional e psicológico profundo.
Ele aumenta a conexão com o próprio corpo, melhora a percepção corporal e reduz a autocrítica, que tantas vezes é o gatilho do estresse e da baixa autoestima.
Sabe aquela sensação de leveza, de estar em paz consigo, de olhar no espelho e se sentir “viva”?
Não é só imaginação. É química. É biologia.
E é também amor-próprio em forma de hormônio.
Cuidar da pele é bom. Mas cuidar de si, de dentro pra fora, é transformador.
O prazer feminino e o tabu do autocuidado
Durante muito tempo, o prazer feminino foi visto como algo supérfluo, proibido ou até vergonhoso.
Mas estamos numa era em que entender o corpo é também um ato de liberdade e de saúde.
O orgasmo feminino, em especial, libera mais oxitocina e estrogênio, o que impacta não só a pele, mas também o equilíbrio emocional e o bem-estar geral.
Segundo um estudo da University of Groningen (2019), mulheres com vida sexual ativa apresentam níveis menores de cortisol, melhor humor e até menor incidência de acne e dermatite relacionada ao estresse.
Falar sobre prazer é falar sobre saúde.
E saúde não se resume à ausência de doença, mas à plenitude do corpo, da mente e da alma.
Cuide da sua pele — e de tudo que vive sob ela
Claro, o orgasmo não substitui protetor solar, limpeza facial ou hidratação.
Mas ele pode, e deve, ser visto como parte de um estilo de vida equilibrado e consciente.
Então, se você quer uma pele realmente bonita:
● Durma bem.
● Alimente-se com qualidade.
● Beba água.
● Respire, movimente-se, sorria.
● E sim, permita-se sentir prazer, com carinho, respeito e presença.
Porque o verdadeiro skincare começa quando você aprende a gostar da própria pele, em todos os sentidos.
Em resumo
O orgasmo é um fenômeno natural com efeitos físicos e emocionais reais.
Ele melhora a circulação, reduz o estresse, equilibra hormônios, estimula o sono e fortalece a imunidade, tudo isso refletindo diretamente na pele.
Mais do que um ato físico, é uma forma de o corpo lembrar que prazer e saúde andam de mãos dadas.
